Diversidade não é uma tendência e influencia nos resultados do seu negócio

Os principais temas que ganharam força neste ano e que se mostram promissores no próximo são: trabalho remoto, saúde mental, velocidade na informação e claro, diversidade (de etnia, de gênero, de orientação sexual, de deficiência, de religião, de classe, etc).

Esse tem sido um dos assuntos mais debatidos em responsabilidade corporativa – principalmente de empresas nacionais, pois segundo o índice de inclusão e diversidade da Kantar Inclusion Index, até ano passado as empresas brasileiras estavam entre as menos inclusivas. Embora o tema tenha alcançado inquestionável expressividade, sabemos que muitas empresas ainda têm dificuldade para explorar o assunto e principalmente o colocar em prática.

Na 99, a iniciativa veio dos próprios colaboradores, explica Érica Moura, Talent Acquisition:

Atualmente a 99 possui cerca de 1000 colaboradores, entre funcionários e estagiários. A diversidade é um valor da empresa, faz parte do nosso DNA e passamos a vivenciar de forma ainda mais consistente no dia a dia quando os próprios colaboradores criaram grupos de identidade (99Afro, 99Cores e 99Mulheres) em 2018.

comentou Érica, sobre a ação que deu início ao Comitê de Diversidade da empresa, que depois criou mais projetos como o 99Adapta, voltado às pessoas com deficiência.

Como Talent Acquistion, a Érica acredita no potencial da área como o primeiro passo para processo de diversidade na empresa, pois é um papel que exige que a cada dia você incentive e plante uma nova semente: seja para a gestão, para os candidatos ou se posicionando enquanto marca empregadora diversa. 

Este é um trabalho robusto com possibilidades exponenciais se planejado e executado em parceria com áreas e pessoas dispostas a contribuir, e traz, comprovadamente, muitos benefícios:

Em todos as nossas pesquisas de NPS, um ponto que a maioria dos colaboradores destaca é justamente a diversidade, poderem ser quem são e conviverem com pessoas diferentes. Isso melhora o engajamento e a capacidade criativa das pessoas, já que possibilitamos um ambiente seguro e inclusivo.

 

Você está pensando em colocar a diversidade em prática por aí? Então anota essas dicas, elas podem te ajudar a estruturar melhor e convencer a alta gestão.

 

Diversidade dá lucro: O tópico está diretamente ligado ao fator resultado e é sob este viés que o assunto acaba sendo introduzido na maioria das organizações por oferecer maior aceitação no board. Então, vamos aos dados: empresas com diversidade racial lucram 35% mais e 21% a mais quando há diversidade de gênero, é o que aponta um relatório da Mckinsey deste ano. Além disso, a diversidade é capaz de gerar conexões culturais e de conhecimento que geram soluções mais ricas e criativas.

 

Melhora a reputação: Outro argumento que dá aquele empurrãozinho na sua defesa é mostrar o quanto a inclusão da diversidade causa impacto positivo na imagem e reputação da empresa. Estar entre os destaques de rankings como o Guia Exame de Diversidade que avalia e reúne as empresas tops no tema, melhora a percepção do quanto a empresa é atrativa ou não pelo seu engajamento em iniciativas de diversidade. 

Isto não é só vaidade, embora seja efetivo com este perfil de liderança também. O mais importante dessa estratégia é deixar bem claro que o objetivo não é vender simplesmente uma aparência porque a máscara cai mais cedo ou mais tarde e com ela a credibilidade. Se o teto da empresa é de vidro é necessário primeiro construir os alicerces da diversidade no dia a dia dos colaboradores e amadurecer. Antes de tudo, isto deve ser verdade para quem vive a realidade da organização. Precisa fazer sentido para dentro e ecoará solidamente para quem observa.

 

Fortalece as pessoas e o negócio: Um outro movimento começa a aparecer forte nas empresas levando-as a outro patamar de liderança e objeto de desejo de profissionais do mercado que estão mais interessados em atuar e fazer parte de instituições que reflitam valores que se identificam com os seus.

Essas empresas avançam na conscientização de respeito ao ser humano, às suas diferenças, e apostam em iniciativas de inclusão que vêm quebrando paradigmas no ambiente corporativo com direito a defensores e porta-vozes da causa.

 

Benchmark – cases sucesso: Você não precisa reinventar a roda, outras empresas já trilharam o caminho das pedras e podem te ajudar a chegar mais rápido e mais assertivamente. Procure conversar com outros profissionais e empresas, exagere na lista de contatos – se possível – quanto mais exemplos melhor, e conheça os cases que deram certo e, principalmente, aquelas iniciativas que não foram bem-sucedidas, elas ensinam muito sobre o que fazer e o que não fazer. Com modelos diversos o bastante para encorpar seu argumento, apresente os melhores resultados às lideranças para ganhar apoiadores até alcançar o board.

 

E o papel da comunicação interna? 

Assim como todas as áreas e colaboradores da empresa devem “se adaptar” para incluir esses novos profissionais na empresa, a comunicação interna também deve encontrar a melhor forma de se comunicar, para abranger e ser plural, alcançando todos os colaboradores. Na 99, a CI atua como um braço consultivo do Comitê de Diversidade: “Juntos definimos a melhor estratégia para conteúdos, eventos e agendas com a liderança.” completou Érica.

Felizmente, a diversidade tem sido amplamente discutida e absorvida por um número cada vez maior de empresas provocadas, encorajadas e suportadas por áreas que têm no foco as pessoas, como são a CI e o RH que há algum tempo vêm abrindo espaço para as conversas e a representatividade. Não é para menos, em um ano marcado por acontecimentos reveladores de preconceito e ódio que resultaram em indignação e reatividade, a indiferença corporativa às pautas sociais definitivamente não tem mais espaço e as empresas já entenderam que não pega bem (não mais).