• 17/12/2025
  • Tecnologia

A tendência de retorno ao trabalho presencial em 2026

A tendência de retorno ao trabalho presencial

A tendência de retorno ao trabalho presencial é realidade, mas não como era antes.

Durante a pandemia, o trabalho remoto deixou de ser uma alternativa e se tornou padrão. Em poucos meses, empresas se adaptaram, equipes se reorganizaram e o discurso dominante apontava para um futuro definitivamente distante dos escritórios. Passados alguns anos, o cenário mudou.

Em 2024 e 2025, cresce o número de empresas que estimulam, formal ou informalmente, o retorno ao trabalho presencial. Esse movimento não acontece de forma abrupta nem uniforme, mas revela uma reavaliação mais pragmática sobre produtividade, cultura organizacional e coordenação do trabalho.

Os dados ajudam a entender por que essa mudança está acontecendo.

O trabalho remoto perdeu força, mas não saiu de cena

Pesquisas conduzidas pelo Stanford Institute for Economic Policy Research indicam que o trabalho remoto diminuiu após o pico da pandemia e entrou em um período de estabilidade. Hoje, profissionais qualificados trabalham, em média, entre um e um dia e meio por semana fora do escritório.

Nos Estados Unidos, estudos ligados ao Hoover Institution mostram que cerca de 25% dos dias pagos de trabalho ainda são realizados em casa. O número é significativamente maior do que antes de 2020, mas menor do que no auge do home office.

Isso indica que o debate atual não é mais remoto versus presencial. Ele gira em torno de equilíbrio.

Voltar ao escritório não significa ocupar o escritório

Outro dado relevante vem da ocupação física dos prédios corporativos. O Kastle Back to Work Barometer, que monitora acessos a escritórios em grandes centros urbanos, mostra que a presença média gira em torno de 50% a 55% do período pré-pandemia.

Mesmo quando empresas anunciam políticas mais rígidas, os escritórios não voltam a operar em capacidade total. O padrão mais comum é a concentração de pessoas entre terça e quinta-feira, com baixa presença no início e no fim da semana.

Na prática, o que se consolida é um modelo híbrido mais controlado, não um retorno integral ao passado.

Por que as empresas estão reforçando o presencial

O principal motivo citado por líderes e gestores está ligado à execução. Em equipes altamente interdependentes, o trabalho totalmente remoto tende a aumentar o tempo de alinhamento e reduzir a velocidade das decisões. Processos simples passam a exigir mais reuniões e mais trocas assíncronas.

Outro fator recorrente é a cultura organizacional. Empresas relatam dificuldades em integrar novos profissionais, desenvolver lideranças e reforçar valores quando o contato se limita às telas. Esse desafio se torna mais evidente em organizações em crescimento ou em transformação.

Há ainda uma dimensão gerencial. Nem todos os líderes se adaptaram plenamente a modelos baseados apenas em entregas. Para parte deles, a presença física continua sendo associada a engajamento e pertencimento, mesmo que isso não se traduza diretamente em produtividade.

O risco do retorno sem flexibilidade

Ao mesmo tempo em que estimulam o retorno ao trabalho presencial, as empresas lidam com um risco claro: a perda de talentos. Pesquisas realizadas no Brasil e em outros países mostram que a flexibilidade segue sendo um dos fatores mais valorizados pelos profissionais.

No Brasil, estudos conduzidos pela FEA-USP em parceria com a FIA indicam que mais de 90% dos profissionais em regime remoto ou híbrido percebem melhora na qualidade de vida. A maioria também avalia que sua produtividade se manteve ou aumentou.

Em mercados como Reino Unido e Estados Unidos, pesquisas apontam que políticas de retorno totalmente presencial elevam o risco de desligamentos, especialmente por causa do custo de deslocamento e da perda de autonomia.

Esse cenário explica por que muitas empresas anunciam regras mais duras, mas aplicam exceções no dia a dia, especialmente para profissionais estratégicos.

O que os dados mostram sobre preferência e prática

A tensão atual do mercado pode ser resumida em um ponto: o modelo preferido pelos profissionais não é exatamente o mesmo adotado pelas empresas. Enquanto a maioria dos trabalhadores demonstra preferência por modelos híbridos ou remotos, as organizações caminham para estruturas com maior presença física.

Esse desalinhamento ajuda a explicar o desconforto do momento e o aumento do debate sobre políticas de trabalho. O retorno ao presencial avança, mas encontra limites claros impostos pelo próprio mercado de talentos.

Gráfico evidencia a preferencia de retorno ao trabalho presencial dos colaboradores versus as empresas.

O impacto direto na comunicação interna

Com mais pessoas voltando aos escritórios, um desafio antigo ganha nova dimensão. Como garantir alinhamento, clareza e engajamento em um cenário onde parte do time está presente fisicamente e parte segue remota?

O retorno ao presencial não resolve, por si só, os ruídos de comunicação. Em muitos casos, ele os torna mais visíveis. Isso explica o aumento do investimento em canais que não dependem apenas de e-mails ou reuniões, como telas corporativas, sinalização digital e plataformas de comunicação interna.

Empresas que conseguem atravessar esse período com menos atrito são aquelas que entendem que presença física não substitui comunicação estruturada.

Um ajuste em curso, não um movimento definitivo

O retorno ao trabalho presencial não representa uma rejeição ao remoto, mas uma tentativa de ajuste após um período de experimentação acelerada. As empresas buscam mais coordenação e coesão. Os profissionais buscam flexibilidade e autonomia.

O ponto de equilíbrio ainda está sendo negociado. E tudo indica que ele passará por modelos híbridos mais claros, combinados com estratégias de comunicação capazes de conectar pessoas, estejam elas dentro ou fora do escritório.

Continue lendo

Ver mais

Entre em contato com nossos especialistas 

Imagem
Quero uma demo!