Sumário
A tendência de retorno ao trabalho presencial é realidade, mas não como era antes.
Durante a pandemia, o trabalho remoto deixou de ser uma alternativa e se tornou padrão. Em poucos meses, empresas se adaptaram, equipes se reorganizaram e o discurso dominante apontava para um futuro definitivamente distante dos escritórios. Passados alguns anos, o cenário mudou.
Em 2024 e 2025, cresce o número de empresas que estimulam, formal ou informalmente, o retorno ao trabalho presencial. Esse movimento não acontece de forma abrupta nem uniforme, mas revela uma reavaliação mais pragmática sobre produtividade, cultura organizacional e coordenação do trabalho.
Os dados ajudam a entender por que essa mudança está acontecendo.
O trabalho remoto perdeu força, mas não saiu de cena
Pesquisas conduzidas pelo Stanford Institute for Economic Policy Research indicam que o trabalho remoto diminuiu após o pico da pandemia e entrou em um período de estabilidade. Hoje, profissionais qualificados trabalham, em média, entre um e um dia e meio por semana fora do escritório.
Nos Estados Unidos, estudos ligados ao Hoover Institution mostram que cerca de 25% dos dias pagos de trabalho ainda são realizados em casa. O número é significativamente maior do que antes de 2020, mas menor do que no auge do home office.
Isso indica que o debate atual não é mais remoto versus presencial. Ele gira em torno de equilíbrio.
Voltar ao escritório não significa ocupar o escritório
Outro dado relevante vem da ocupação física dos prédios corporativos. O Kastle Back to Work Barometer, que monitora acessos a escritórios em grandes centros urbanos, mostra que a presença média gira em torno de 50% a 55% do período pré-pandemia.
Mesmo quando empresas anunciam políticas mais rígidas, os escritórios não voltam a operar em capacidade total. O padrão mais comum é a concentração de pessoas entre terça e quinta-feira, com baixa presença no início e no fim da semana.
Na prática, o que se consolida é um modelo híbrido mais controlado, não um retorno integral ao passado.
Por que as empresas estão reforçando o presencial
O principal motivo citado por líderes e gestores está ligado à execução. Em equipes altamente interdependentes, o trabalho totalmente remoto tende a aumentar o tempo de alinhamento e reduzir a velocidade das decisões. Processos simples passam a exigir mais reuniões e mais trocas assíncronas.
Outro fator recorrente é a cultura organizacional. Empresas relatam dificuldades em integrar novos profissionais, desenvolver lideranças e reforçar valores quando o contato se limita às telas. Esse desafio se torna mais evidente em organizações em crescimento ou em transformação.
Há ainda uma dimensão gerencial. Nem todos os líderes se adaptaram plenamente a modelos baseados apenas em entregas. Para parte deles, a presença física continua sendo associada a engajamento e pertencimento, mesmo que isso não se traduza diretamente em produtividade.
O risco do retorno sem flexibilidade
Ao mesmo tempo em que estimulam o retorno ao trabalho presencial, as empresas lidam com um risco claro: a perda de talentos. Pesquisas realizadas no Brasil e em outros países mostram que a flexibilidade segue sendo um dos fatores mais valorizados pelos profissionais.
No Brasil, estudos conduzidos pela FEA-USP em parceria com a FIA indicam que mais de 90% dos profissionais em regime remoto ou híbrido percebem melhora na qualidade de vida. A maioria também avalia que sua produtividade se manteve ou aumentou.
Em mercados como Reino Unido e Estados Unidos, pesquisas apontam que políticas de retorno totalmente presencial elevam o risco de desligamentos, especialmente por causa do custo de deslocamento e da perda de autonomia.
Esse cenário explica por que muitas empresas anunciam regras mais duras, mas aplicam exceções no dia a dia, especialmente para profissionais estratégicos.
O que os dados mostram sobre preferência e prática
A tensão atual do mercado pode ser resumida em um ponto: o modelo preferido pelos profissionais não é exatamente o mesmo adotado pelas empresas. Enquanto a maioria dos trabalhadores demonstra preferência por modelos híbridos ou remotos, as organizações caminham para estruturas com maior presença física.
Esse desalinhamento ajuda a explicar o desconforto do momento e o aumento do debate sobre políticas de trabalho. O retorno ao presencial avança, mas encontra limites claros impostos pelo próprio mercado de talentos.

O impacto direto na comunicação interna
Com mais pessoas voltando aos escritórios, um desafio antigo ganha nova dimensão. Como garantir alinhamento, clareza e engajamento em um cenário onde parte do time está presente fisicamente e parte segue remota?
O retorno ao presencial não resolve, por si só, os ruídos de comunicação. Em muitos casos, ele os torna mais visíveis. Isso explica o aumento do investimento em canais que não dependem apenas de e-mails ou reuniões, como telas corporativas, sinalização digital e plataformas de comunicação interna.
Empresas que conseguem atravessar esse período com menos atrito são aquelas que entendem que presença física não substitui comunicação estruturada.
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Um ajuste em curso, não um movimento definitivo
O retorno ao trabalho presencial não representa uma rejeição ao remoto, mas uma tentativa de ajuste após um período de experimentação acelerada. As empresas buscam mais coordenação e coesão. Os profissionais buscam flexibilidade e autonomia.
O ponto de equilíbrio ainda está sendo negociado. E tudo indica que ele passará por modelos híbridos mais claros, combinados com estratégias de comunicação capazes de conectar pessoas, estejam elas dentro ou fora do escritório.




