E quanto a saúde mental dos líderes?

É possível ter uma equipe saudável enquanto os próprios líderes não estão bem psicologicamente? saúde mental

Essa questão destrincha um cenário complexo onde uma pessoa de autoridade na nossa sociedade, como um líder, não deve demonstrar vulnerabilidade. Fomos criados acreditando que ao chorar, por exemplo, demonstramos fraqueza sendo que não é bem assim. saúde mental

Vivenciamos um momento onde o acesso à informação é muito rápido, por isso temas como saúde mental, que não eram tratados antigamente, estão em alta. Sentimentos que alguns tinham, mas não entendiam, agora podem ser cuidados com os tratamentos corretos. Diante disso, é fato que essa temática é delicada, ainda mais quando relacionada a pessoas que “deveriam” ser fortes e assertivas na maior parte do tempo.  

Para falarmos disso com mais propriedade, entrevistamos a psicóloga organizacional Luiza Murbach, que disserta: “fomos educados a esconder nossas sombras e hoje estamos em um caminho de reeducação de todos, começando pelos líderes, se conhecer, saber onde o calo aperta, mostrar que conhece suas fragilidades é importante, visto que de toda forma encontrarão essas questões na gestão de pessoas, não tem como fugir. Quando um líder demonstra isso para seus colaboradores naturalmente esse vínculo fluirá melhor, os colaboradores se sentirão à vontade para compartilhar alguma situação nesse sentido. ”

 

Profissionais espelhos

Essa despreocupação e/ou falta de atenção em relação à saúde mental normalmente vem camuflada de “não tenho tempo para isso”, mas afinal, quando é tempo para se cuidar? Não deveria diariamente? Se o próprio gestor desdenha de seu próprio bem-estar e qualidade de vida, o que esperar de seus liderados?

E então qual seria o sentido de falarmos tão pouco sobre a saúde dos gestores sendo que, com uma liderança saudável e posicionamentos assertivos, uma boa performance da parte dos colaboradores será garantida? “Insegurança. Como disse anteriormente, fomos educados a não dizer o que sentimos, a esconder nossos problemas, a deixar a vida particular da porta para fora, pois isso era sinônimo de fraqueza, hoje vejo que com a inserção da inteligência emocional no campo do trabalho os líderes estão começando a caminhar e se familiarizar até mesmo com a necessidade de falar sobre esses assuntos, como depressão e ansiedade no trabalho. ” – Luiza responde.

 

E com a pandemia…

saúde mental

O burnout também foi um tema muito pesquisado e os índices desta síndrome foram ascendentes devido ao excesso de preocupações com o trabalho, principalmente no momento onde grande parte da população teve que fazer de seu local de descanso também seu local de trabalho devido ao homeoffice. No entanto, o problema em si não é nem trabalhar de casa, mas ter vivido isso dentro de uma conjuntura caótica e fatal, deixou marcas em muitas pessoas.

Para Murbach, todos nós fomos pegos de surpresa e tivemos o psicológico afetado diante desse cenário: “Vejo que antes da pandemia levávamos uma vida muito mais agitada e exaustiva, sempre trabalhando de forma excessiva. Com a pandemia e um cenário de incertezas e inseguranças precisamos adaptar nosso modelo de trabalho e os líderes o modelo de gestão, ser mais compreensivo, olhar para todo o contexto dos colaboradores em home office, perdas na família, além de vários outros fatores, muitas demandas relacionadas a saúde mental surgiram no início da pandemia e durante o processo de adaptação. ”

 

Grandes funções, grandes responsabilidades

O quanto gerenciar pessoas é uma função importantíssima, e deveria ser realizada por pessoas que ao menos, pudessem ter a chance e preocupação de se cuidar mentalmente para que o trabalho pudesse ornar com mais facilidade e compreensão?

É necessário que exista um senso de urgência em relação a cuidar da saúde mental dos nossos líderes, afinal sempre abordamos tanto sobre a dos colaboradores, mas de que adianta possuir tintas das melhores marcas, se o pintor não está inspirado naquele momento?

Ao falar sobre os impactos de uma gestão que se preocupa ou não com essa temática, Luiza pondera: “Hoje não tem mais como ignorarmos a saúde mental, se o colaborador não estiver estável psiquicamente dificilmente ele conseguirá ter bons resultados. A equipe se sentirá mais tranquila para levar questões que muitas vezes impactam em seu trabalho com uma liderança que leva isso em consideração. Cria-se então um cenário de confiança, parceria, compreensão e um vínculo verdadeiro, onde os colaboradores não temem em falar. ”

Para a própria Comunicação Interna ornar e valer a pena, todos no ambiente precisam ao menos estar em busca de serem mais saudáveis. Muitas vezes enxergamos o gestor, e ele mesmo se enxerga, apenas como quem manda, mas a verdade é que ele influencia o ambiente organizacional pelo menos 80% do tempo, seja positiva ou negativamente.

 

Saúde é saúde saúde mental

Cuidar de sua saúde mental é uma decisão que deve ser tomada de dentro para fora, pois não é um processo fácil. Por isso é importante que os gestores reconheçam essa necessidade e busquem por ajuda mesmo que já se sintam bem. Gerenciar pessoas, dinheiro e projetos carece de uma carga energética que nenhum ser humano conseguiria sozinho mesmo com o maior grau de inteligência.

Para iniciar essa busca de mais qualidade de vida psíquica, você pode: 

  • Tirar um tempo para descansar e se reconectar;
  • Ir em busca de algum exercício físico que se identifique;
  • Procurar de fato por um psicólogo ou psiquiatra; 
  • Ser mais sincero com sua equipe, até mesmo para aproximá-los de sua realidade;
  • Praticar seus hobbies;

Indo para um pouco além do assunto, o autocuidado em todos os sentidos é importante também, marcar exames e consultas periódicas é um bom exemplo de uma atitude que não é costume, até mesmo porque às vezes um mal-estar psíquico pode estar sucedendo de alguma insuficiência como a de vitaminas ou hormônios.

“Um gestor que faz terapia e está em seu processo de autoconhecimento consegue se conhecer melhor, compreende a respeito das suas emoções e sentimentos e inevitavelmente replica isso à sua equipe. É muito importante orientar aos gestores que façam terapia, dessa forma teremos equipes mais saudáveis e gestores cada vez mais compreensivos. “ – finaliza Murbach.

A saúde mental dos líderes é uma pauta muito importante e que deve ser debatida nas empresas!